Links da semana

  • Alguns meses atrás mencionamos que um artista misterioso estava espalhando por Edinburgh esculturas de papel inspiradas nos livros de Ian Rankin. A história voltou à tona porque o escritor recebeu no dia de seu aniversário 17 pequenas pinturas do mesmo artista anônimo.
  • A Flip divulgou a programação completa deste ano. O ingressos começam a ser vendidos dia 4 de junho. Carlos Drummond de Andrade é o autor homenageado do evento. (O Globo)
  • Denise Bottmann está traduzindo a nova biografia de Van Gogh, que publicaremos no 2° semestre, e criou um blog para postar comentários e observações sobre o trabalho.
  • George Orwell levou um tiro no pescoço, Dostoiévski quase foi executado: 7 escritores que escaparam da morte (PWxyz)
  • A Folha consultou 9 escritores, artistas, críticos e jornalistas sobre sua relação com UlyssesVeja as respostas.
  • “Ai, minha mão”: monges copistas incluíam reclamações sobre o trabalho nas margens dos manuscritos medievais (io9)
  • O blog sobre livros da New Yorker mudou de nome, e traz um texto de Salman Rushdie sobre censura.
  • Barbara Hui criou um mapa que mostra todos os lugares visitados, mencionados ou imaginados por W.G. Sebald em Os anéis de Saturno (ArtsBeat)
  • Um estudo sugere que podemos adotar um comportamento semelhante ao dos personagens dos livros que lemos (Tecmundo)
  • 15 fotos de escritores sérios em poses bobas (Flavorwire)
  • Nosso autor e colunista Juan Pablo Villalobos publicou um perfil de Neymar na revista méxico-colombiana Gatopardo.
  • A biografia de Steve Jobs escrita por Walter Isaacson será transformada em filme com roteiro de Aaron Sorkin, que ganhou o Oscar pela adaptação de A rede social (Omelete)
  • Leia uma entrevista com nosso editor Leandro Sarmatz sobre as novas edições de Carlos Drummond de Andrade (Entretantos)
  • 10 cartuns da New Yorker sobre livros e leitura (Page-Turner)
  • O gigolô de bibelôs

    Por Luiz Schwarcz

    A Brasiliense realizava eventos na Rua Barão de Itapetininga aos sábados de manhã, retomando a tradição que começara com Monteiro Lobato. Pelo que ouvi dizer, o criador do Sítio do Picapau Amarelo agitava a Barão de Limeira. Quando entrou na editora de Caio Prado Jr, Lobato aprofundou ainda mais a vocação, já presente na tradicional editora de esquerda,  propiciando ao centro da cidade mais um destacado ponto de encontro intelectual e literário. Bem antes da minha chegada ao mundo editorial, Caio Graco recuperara a atividade de Lobato, montando um palanque na frente da livraria aos sábados, em pleno calçadão, e convidando escritores, artistas e políticos para darem seu recado.

    Caetano Veloso acabara de lançar por uma pequena editora (Pedra que ronca) o livro Alegria Alegria — uma reunião de textos esparsos, organizada por Waly Salomão. Contrariando seus horários costumeiros — Caetano só consegue dormir quase com a  chegada da manhã e inicia o dia bem após o almoço — o compositor aceitara participar de um debate no calçadão. O entrevistador escolhido era Matinas Suzuki Jr e o mestre-sala, Waly Salomão. Este último, não sei se a pedido do próprio Caetano ou por algum motivo que ninguém acabou sabendo qual era, gorou o evento antes mesmo dele se iniciar. Alegou que as condições eram péssimas — fazia mesmo muito calor — e o debate logo após começar, acabou. É possível que Caio tenha feito algo que desagradou ao artista e a seu poeta-protetor. Ninguém esperava porém que Caetano se retirasse do local, com o circo armado e um razoável público à espera de ouvi-lo. Waly saiu aos brados, como sempre.

    Muitos anos depois procurei  Waly Salomão para que participasse da coleção Circo de Letras. Eu desconhecia o detalhes do affair no calçadão. Caio, sem mágoas, não se opôs à ideia de ter Gigolo de bibelôs, o emblemático livro de poemas e prosa poética, reeditado por nós.

    Nessa época eu havido retomado meu contato com Matinas, através do Leia livros. Também já conhecia Caetano Veloso pessoalmente, e por meio dele  fui apresentado a Waly Salomão. Lembro-me bem do dia, ou melhor, da noite. Foi num jantar na Pizzaria Guanabara no baixo Leblon. Na mesa estavam uma adolescente muita quieta, namorada do Caetano, chamada Paula Lavigne, e Luciana de Moraes, de quem me lembro com saudades. Com Waly presente, poucos podiam tomar a palavra, ou para tal tinham que falar num volume considerável. Luciana conseguia. Caetano, é claro, tinha seus trunfos para furar o discurso do poeta. Eu, muito jovem, tinha pouco a dizer e me preocupava mesmo em ouvir e não falar nenhuma besteira.

    Depois deste encontro o convite para Waly participar da Circo de Letras foi bem sucedido, e a reedição de Gigolô um sucesso. O livro tinha tudo a ver com a coleção que misturava a prosa e a poesia dos beats — Kerouc, Burroughs e Ferlinghetti — com os policias noir de Hammet, Chandler e outros. Era minha coleção favorita. Surgira como decorrência da Cantadas Literárias, nos moldes de tudo o que  acontecia na Brasiliense da época. No caso da Cantadas, Caio lera um livro chamado Porcos com asas, que havia feito enorme sucesso na Itália, e comentou comigo que iria publicá-lo. Desta conversa  nasceu a primeira coleção de literatura para o público jovem da Brasiliense, que naquela época já seguia fielmente a editora. Primeiros Passos, Tudo é história e Primeiros vôos já tinham conquistado seu eleitorado. Faltava escolher ficção para o mesmo público.

    Dar o nome para a coleção foi uma briga. Caio gostou da minha sugestão inicial, mas não sei por que mudou de ideia e depois relutou em aceitar Cantadas Literárias. Eu bati o pé. Acho que dar nome a livros e coleções sempre foi algo que fiz com certa segurança, e faço até hoje. No fim saí vencedor. Os livros de Reinaldo Moraes, Marcelo Rubens Paiva, Caio Fernando Abreu e Paulo Leminsky vieram a seguir. A dobradinha do sempre  jovem Caio com o mais sisudo Luiz, um voando e o outro sempre com os pés no chão,  gerava muitos bons frutos.

    Da Cantadas Literárias para a Circo de Letras o caminho foi natural. Não havia muita divisão de tarefas, no caso destas novas coleções, mas com o tempo Caio foi gostando mais da Cantadas, e eu do filho mais jovem.

    Mas estaria aí um dos germes da nossa separação. Meu chefe queria continuar fiel a um público de gente mais jovem; sempre entre os dezesseis e vinte e cinco anos. Eu queria seguir com os mesmos leitores de antes. Leitores que amadureciam, e pediam novos desafios. Me dava menos tesão editar livros das coleções de bolso, ao mesmo tempo em que me sentia cada vez mais fascinado pela literatura mais elevada, de contestação ou não. A noção de que a boa literatura tinha um papel singular na vida social crescia dentro de mim. Os bons resultados comerciais dos livros mais sofisticados que a Brasiliense passara a publicar — como a tetralogia O Mar da Fertilidade de Mishima — não me passavam desapercebidos. As edições das obras de Augusto de Campos, de quem eu também me aproximara a essas alturas, agradavam a imprensa e o público, gerando reedições tão rápidas quanto inesperadas. A poesia de Brecht, traduzida por Paulo César de Souza, vendia bem.

    A ideia da Companhia das Letras, sem que eu notasse, começava a germinar dentro de mim. A distância entre meus gostos editorias e os do Caio, o sucesso da coleção Circo de Letras e de outros livros que decorriam das coleções para jovens, mexiam com a minha cabeça.

    Nesta época, a presença de Waly Salomão nos saguões da Brasiliense foi marcante. Não estávamos mais no endereço tradicional do centro de São Paulo, mas próximos dali: na Rua General Jardim. A Brasiliense alugara um galpão no bairro, que com o começo da noite se transformava totalmente em ponto de prostituição e de travestis, como um cenário das novelas beats que publicávamos.

    Quando Waly chegava sua voz se fazia ouvir do térreo ao terceiro andar, onde ficava o Leia Livros e os escritórios dos dois editores da casa: o jovem (Caio) e o velho (eu).

    Mas Waly não era o único a fazer suas histrionices em nossos salões. O mesmo acontecia quando recebíamos outros visitantes, como os poetas Roberto Piva e Paulo Leminsky. Sobre eles devo falar em outra ocasião. Esta crônica, que já está maior do que deveria, termina aqui, com o dia em que Waly chega ao terceiro andar da Brasiliense com um livro vermelho na mão, bate na minha porta e pergunta:

    — Quer publicar na Circo de Letras?

    Tratava-se de Alegria, alegria, cuja edição estava esgotada, e que — mais que esquecido o episódio do calçadão — Waly desejava trazer para a Brasiliense. O resto da história eu conto outro dia. Por hora fiquem com o trecho de um poema presente em Gigolô de bibelôs, “Nosso amor ridículo se enquadra na moldura dos séculos”, selecionado pelo meu filho Pedro, grande fã do livro. Sugiro que seja lido imaginando a cena:

    Waly sobe os longos lances de escada e chega ofegante ao último andar, onde abre-se um saguão com vista para um mezanino, local em que se localiza a redação do Leia Livros. A primeira sala à esquerda é a minha. O poeta toma fôlego e começa:

    Nosso amor ridículo se enquadra na moldura dos séculos
    Sugo espirais das nuvens de cigarro que fumo
    Sofro baforadas-caramujo por entre volutas do universo
    Eu, pequenino grão de areia-poeta, plasmo rima aliteração
    metáfora oximoro verso
    Pasto palavra: quinquilharia ninharia palácio do nenhures
    ó castelo
    De vento
    pastel de brisa
    monte de ganga bruta
    (…)

    * * * * *

    Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna semanal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.

    Traduzir o “Ulysses”

    Por Caetano W. Galindo


    Capa: Raul Loureiro e Claudia Warrak. Ilustração: Chico França.

    Traduzir literatura por contrato é uma coisa.

    Você nem sempre traduz o que gostaria de ler. Você nem sempre tem o prazo que desejaria ter. Vida, vida.

    Mas traduzir é uma experiência tão necessariamente suja (mãos-na-massamente falando), tão enfronhadinha, tão, digamos, íntima, que acaba que esses senões terminam por se dissolver um pouco. E você tem sempre uma relação mais pessoal, direta, com os livros que traduziu. Você, afinal, teve de escrever todos eles. Linha a linha.

    Traduzir por escolha é coisa bem outra no entanto.

    Quando eu decidi que minha tese de doutorado incluiria uma tradução do Ulysses, quando decidi que dos quatro anos que eu teria para escrever a tese eu usaria dois, inteiros, para essa tarefa, foi unicamente escolha minha, desejo meu. Projeto.

    E aí foram dois anos, diários, de leitura, escrita e releitura. (Uma noção simples da intensidade do trabalho de tradução vem do fato de que, na batata, traduzir é ler ao menos três vezes ao mesmo tempo: correr o olho pela frase original, redigir a sua e lê-la com as outras).

    O livro foi traduzido quase inteiro na ordem. (Um trecho eu fiz antes, para dar de presente para aquela que viria a ser minha mulher, no dia dos professores.) E o Ulysses é um livro inquieto. Se mexe sem parar. Muda o tempo todo. E traduzir esse livro tinha de ser assim também.

    Insisto sempre com os meus alunos que o próprio Ulysses te ensina a ler o Ulysses, gradativamente. Eu tive de ir aprendendo a escrever o Ulysses, passo a passo, cada vez encontrando dificuldades maiores, mais numerosas, como sabe qualquer leitor. Mas cada vez me divertindo mais.

    Quando você acha a linguagem, o registro, aparecem os trocadilhos, as piadas, as referências cifradas (São Gifford, o Anotador, que me valha!); quando deu conta disso, são as canções; mais os poemas; e aí vêm as paródias, pastiches; e depois um longo episódio que narra o desenvolvimento da literatura inglesa (e toca a gente — ela já era minha mulher — sentar e montar uma lista de modelos de textos portugueses e brasileiros, do século XIII ao XIX, cobrindo tudo quanto é gênero: crônica, carta, teatro, prosa, poesia, mais ou menos como os que Joyce usou quando escreveu; e toca ler cada um desses modelos, fazer listas de expressões, palavras, construções saborosinhas e típicas e aí, e só aí, traduzir o fragmento correspondente do episódio).

    E quando tudo isso passou, você tem que lidar com a oralidade desmedida e precisa de dona Molly naquele solilóquio.

    E quando você acha que acabou, no Bloomsday centenário, 2004, um século exato depois das andanças do Senhor Bloom por Dublin, vêm já seis anos de espera, banho-maria, retoquinhos.

    Outros trabalhos. Aulas. Outras traduções.

    Eu hoje venho conseguindo juntar as coisas: traduzir por contrato textos de escolha. Melhor ainda, agora contrataram o meu Ulysses.

    E toca revisar tudo para você, quem sabe, querer ler daqui a pouco.

    Escolha minha.

    Terão sido dez anos de convívio com o livro.

    Escolha minha, circunstâncias.

    Por mim, valeu.

    Tomara que você não ache que foi à toa.

    [A edição de Ulysses da Penguin-Companhia já está nas livrarias. No vídeo abaixo, o editor André Conti fala um pouco sobre o clássico de James Joyce:]

    * * * * *

    Caetano Waldrigues Galindo é professor de Linguística Histórica na Universidade Federal do Paraná e doutor em Linguística pela USP. Já publicou traduções do romeno e do inglês.

    Quem é quem na Companhia das Letras

    Nome: Alexandra Rafael de Carvalho

    Há quanto tempo trabalha na editora? Completei um ano em abril.

    Função: Cuido da loja da editora, como coordenadora de vendas do espaço que, muitas vezes, é também chamado de nosso showroom. Atendo clientes bem especiais: são professores, livreiros e autores, além de todos os funcionários da editora, que precisam fazer compras e solicitações de exemplares para divulgação, promoções e produção de reedições. Pode não parecer, mas isso requer um grande cuidado operacional para conseguirmos manter a loja sempre abastecida com os livros mais procurados pelos clientes e pelos diversos departamentos da editora.

    Um livro: Um livro? Vários! Minha grande paixão é a coleção completa O tempo e o vento, de Erico Verissimo, que já li e reli. E os mais recentes são Festa no covilMeu tipo de garotaInfiel.

    Minha parte favorita: A parte que mais gosto é atender clientes que pedem indicações. Adoro perguntar como é a pessoa que vai ler e imaginar as reações que ela terá com os livros que indiquei. A realização maior é  quando o cliente volta e diz que adorou!!!

    Por que você decidiu seguir essa carreira? Porque gosto de livros desde pequena. O primeiro que li, inclusive, é da editora: As aventuras do avião vermelho. Acabei fazendo fonoaudiologia com especialização em leitura e escrita infantil, e de indicar livros, passei para a venda deles. Faço isso há 17 anos.

    Letrinhas (quase) “de maior”

    Por Lilia Moritz Schwarcz

    Se eu disser que vi ela nascer, que troquei as fraldas dela e dei a primeira papinha, todo mundo vai me chamar de cafona, kitsch e sem senso: fora do tom. Mas juro que é verdade!

    A Companhia das Letrinhas começou meio sem começar, como um hobby, ou uma vontade de fazer com que os outros lessem o que eu lia com meus filhos — Júlia e Pedro — e adorava, diga-se de passagem. Não foram poucas as tardes, almoços e jantares que passamos dentro de casa, mas viajando para todos os lugares deste mundo (e de tantos outros) ou em companhia de bichos falantes. Sempre muito bem servidos, de livros.

    Na época, lembro que cuidava da coleção mais acadêmica da editora e tinha acabado de defender meu doutorado na USP. Eu vinha insistindo na ideia fazia tempo, meio sem convicção — entre uma tese e outra —, quando o Luiz (sempre ele) deu o start. Do tipo: “agora ou já”. Fico aqui me recordando de que fui pela enésima vez à tediosa Feira de Frankfurt, mas, naquele ano de 1991, com uma agenda muito mais divertida: ia encontrar, pela primeira vez, não apenas os colegas das University Press — a essas alturas velhos e bons amigos —, mas misturar (em boas doses) reuniões com agentes de luminosas e divertidas editoras infantis.

    O resultado é que venci meu calvário em Frankfurt num ânimo só. Além de debater o último livro de história francesa ou de filosofia universal, nos intervalos ouvia histórias de elefantes, coelhos, duendes, bruxos, lobos e tomava força para segurar o resto do dia.

    Voltei cheia de ideias e de projetos, e fui logo apoiada, de maneira inconteste, pelo pessoal da editora. Luiz me ajudou com a logística, Maria Emília Bender logo se candidatou para estar ao meu lado como editora, assim como Elisa e Hélio de Almeida (que na época trabalhava em período integral na Companhia), colegas que fizeram da Letrinhas um “luxo só”.

    Apesar de sabermos que o mercado infantil brasileiro, já nessa época, era muito reconhecido — com toda razão — por sua qualidade, achamos que podíamos dar continuidade à filosofia da Companhia, que sempre advogou a ideia de que literatura não tem pátria. E assim fizemos. Na época existiam muitos clássicos estrangeiros à disposição, e começamos nosso catálogo chutando alto: Babar, Peter Rabbit, Babette Colle, Padington… era todo um mundo (ilustrado) que se abria diante de nós.

    Mas um impulso fundamental veio dos autores da casa. Ruy Castro logo entregou sua bela versão de Alice no país das maravilhas, que ganhou cor e forma a partir das tintas inspiradas de Laurabeatriz. Nosso sempre amigo José Paulo Paes criou, especialmente para o lançamento da Letrinhas, um livro ontológico de poemas, Uma letra puxa a outa, cujo alfabeto teve um casamento ideal com o projeto gráfico e os desenhos arrojados de Kiko Farkas. A ideia era começar dialogando com a nossa editora “mãe” e dando um jeito de misturar o clássico com o moderno; o nacional ao estrangeiro; tradicional com vanguarda.

    É certo que fomos aprendendo com nossos erros. A equação sempre foi conseguir fazer livros de qualidade, bonitos, mas segurando o preço num nível viável. Lançamos a Letrinhas, por exemplo, pensando que podíamos editar o mesmo livro sempre em capa dura e capa mole. Erramos feio, e os livros de capa dura ficaram muito caros e encalharam no depósito. Mas tentamos transformar o erro em desafio e hoje nos orgulhamos de ser uma editora que dialoga com as escolas, tem um perfil paradidático que é muito explorado por competentes profissionais como Mariana e Rafaela.

    E assim fomos. Atualmente somos tantos que não há como citar todos os nossos autores, ilustradores, artistas gráficos… amigos de sempre e grandes incentivadores. Letrinhas deixou de ser hobby, ganhou maturidade e hoje já corresponde a 13% do faturamento da editora.

    Mesmo assim continua pequena: a equipe central é composta apenas pela grande Helen (grande sobretudo na atitude, criatividade, profissionalismo e competência) e sua equipe (Geane, Leika, Hallini); da Elisa (que vela por nossos gastos, equilíbrio e bom gosto); da Mell (nossa mais recente e querida conquista) e pela luz maior da nossa equipe, e atual editora da Letrinhas: a Júlia.

    A Companhia das Letrinhas nasceu como uma “filha pródiga” da Companhia das Letras e hoje, já adulta, é tocada com brilho, determinação, originalidade e seriedade, vejam só, por minha filha. Ops, muito mais que minha filha: pela editora Júlia Moritz Schwarcz.

    Comecei em tom de bolero e termino no mesmo estilo. Vida longa a essa história que vai passando de geração em geração: de mãe para filha, de Letras para Letrinhas.

    [A festa de 20 anos da Companhia das Letrinhas acontece este sábado, dia 19, no Museu da Casa Brasileira. Saiba mais aqui.]

    * * * * *

    Lilia Moritz Schwarcz é professora titular no Departamento de Antropologia da USP, além de autora de O espetáculo das raçasAs barbas do imperador (vencedor do prêmio Jabuti na categoria ensaio), D. João carioca (em coautoria com Spacca) e O sol do Brasil (vencedor do prêmio Jabuti na categoria biografia), entre outros.